Sinto a ternura quente da manhã no rosto. Sinto o peso dos dias que passaram, o peso das memórias que nasceram, o peso da saudade...
Hoje questiono-me, questiono o passado e o futuro, porque o presente sou eu neste instante em que (me) escrevo.
Todos procuramos deixar um trilho, um rasto de nós próprios, uma marca indelével do passado no futuro. Questiono que trilho quero seguir. Que parte de mim quero dar ao futuro.
A vida continua a significar para mim um jogo contra o Tempo. Cada dia significa mais um dia perto do fim e, no entanto, cada dia tentamos (?) lutar para que a nossa existência tenha mais sentido, para que cada pedaço de tempo seja mais valioso. E tentamos prender o tempo na memória, no curto espaço da memória.
Cada um de nós é um ponto tridimensional, definido através do espaço e do tempo. Tudo é relativo, diria Einstein.
O espaço pode ensinar-nos muitas coisas. Por vezes, o espaço pode também transformar-se num vazio longínquo. Este espaço pode tornar o Tempo numa entidade insuportável. Afinal, o Tempo ocupa também Espaço...
Sinto novamente a ternura quente da manhã no rosto... O curto espaço de tempo que nos separa parece tornar-se ainda mais pesado. As horas são teimosos pedaços de tempo que me separam da partida. Sinto que uma parte de mim já viajou para outro lugar.
Mas as memórias flutuam no pensamento. As memórias fazem-me sentir diferente. As memórias são pedaços eternos de aprendizagens e experiências, pedaços de espaços, pedaços de conversas, pedaços de emoções e sensações. Estas memórias serão pedaços do passado para sempre dissolvidos no presente que eu sou. Nesta amálgama de memórias que desfilam nos meus olhos, enquanto sinto a ternura quente da manhã, sinto o movimento das viagens, o frio branco transformado em cenário da minha vida durante meses, a sensação de estranheza provocada pelas diferenças culturais, as inúmeras conversas trocadas com (diferentes) pessoas diferentes, a sede de conhecimento que se respira nas livrarias de Harvard Square, o aroma quente de um copo de café, o confortante sabor do chá a seguir ao jantar, o verde sinal da Primavera, as árvores altas e majestosas...
Sinto a ternura quente das memórias.
Sinto o peso da saudade.
Até já!
quarta-feira, 17 de junho de 2009
quinta-feira, 28 de maio de 2009
American pie
[Bloomington, Indiana]
Sou uma personagem dentro do filme "American pie"...
Why do I feel so small?
[Arizona state]
Perdidos na vastidão, imensão e profundidade do Grand Canyon...
A nossa pequenez torna-se, inevitavelmente, mais visível. Sente-se a grandeza e o espaço envolvente. O silêncio gigantesco derrota-nos. Sim, sente-se o peso e a grandeza do espaço. Sim, somos pequenos; a estupefacção e o deslumbramento são infinitos.
Subitamente, as palavras são também insuficientes e limitadas para descrever o espaço.
Beautiful, unbelievable, overwhelming...
Life is... adventure!


On the way to Las Vegas...
A little Rome, a little Venice, a little Paris, a little New York... Um mundo dentro de uma cidade.
Um sítio onde tudo pode acontecer.
Luzes, cores, calor, diversão. Luzes, cores, calor, diversão. Assim acontecem os dias. Sente-se a presença árida do deserto.
Para trás fica o frio de Boston, a proibição de beber álcool nas ruas do estado de Massachusetts, o cinzento da chuva de Nova Iorque.
Chegamos a Las Vegas. Será Las Vegas a verdadeira cidade que nunca dorme, roubando o título a Nova Iorque?
Um novo sotaque, uma nova forma de vestir, uma nova forma de estar nas ruas. Slot machines. Diversão. Casinos. La fiesta es bienvenida.
Welcome to the american kitsch!
domingo, 19 de abril de 2009
"New York, New York!"
Luzes. Movimento. Pessoas agitadas ocupando as ruas, ziguezagueando os espaços, algumas parando para observar os edifícios gigantescos. Verdadeiros arranha- céus. Sente-se o peso da engenharia e da inteligência humanas. Mais luzes. Respira-se movimento. Mais pessoas. Sente-se o cheiro dos cachorros vendidos pelos vendedores ambulantes. Sente-se o cheiro da vida. Mais rostos: todos parecem ter uma meta bem definida. E eu? Para onde vou?
Sinto-me anónima. Caminho (caminhamos) pelas ruas, deixando marcas da minha (nossa) existência que a chuva, companheira indesejada, apaga logo de seguida.
Vejo (vemos) a diferença. Apesar de tudo, todos estamos unidos pela mesma certeza, a da efemeridade.
Estou (estamos) rodeada de placards luminosos, bombardeando a todo o instante as nossas retinas com símbolos, cores e ideias. Mensagens. Mensagens. Mensagens.
Quero ser uma espectadora anónima deste movimento imparável. Na cidade "que nunca dorme".
The space between or something called "distance"
Small pause
...pensando
...reflectindo
...desfrutando
...saboreando
...observando
...escutando
...sentindo
...mudando
A vida acontece em pequenas pausas.
...reflectindo
...desfrutando
...saboreando
...observando
...escutando
...sentindo
...mudando
A vida acontece em pequenas pausas.
sábado, 14 de março de 2009
The Art of Being
"What makes us human, and what makes each of us our own human, is not simply the genes we have buried in our base pairs, but how our cells, in dialogue with our environment, feedback onto our DNA, changing the way we read ourselves. Life is a dialectic. For example, the code sequence GTAAGT can either be translated as instructions for the amino acids valine and serine; or it can be read as a "spacer", a genetic pause that keeps other protein parts an appropriate distance from each other; or it can be read as a signal to cut the transcript. Our DNA is defined by its multiplicity of possible meanings; it is a code that requires context.
(...)
The best metaphor for our DNA is literature. Like all classic literary texts, our genome is defined not by the certainty of its meaning, but by its linguistic instability, its ability to encourage a multiplicity of interpretations. What makes a novel or poem immortal is, paradoxically, its complexity, the way every reader discovers in the same words a different story. (...) The same book manages to inspire two completely different conclusions. But there is no right interpretation. Everyone is free to find their own meaning in the novel. Our genome works the same way. Life imitates art.!" (Jonah Lehrer)
(...)
The best metaphor for our DNA is literature. Like all classic literary texts, our genome is defined not by the certainty of its meaning, but by its linguistic instability, its ability to encourage a multiplicity of interpretations. What makes a novel or poem immortal is, paradoxically, its complexity, the way every reader discovers in the same words a different story. (...) The same book manages to inspire two completely different conclusions. But there is no right interpretation. Everyone is free to find their own meaning in the novel. Our genome works the same way. Life imitates art.!" (Jonah Lehrer)
Walking...
Gosto de caminhar pelas ruas. De não ter destino. De descobrir as surpresas que poderei encontrar ao atravessar uma nova rua.
Gosto de me sentir anónima no meio da multidão. De, temporariamente, não ter nome, apesar de me sentir única. Gosto de apreciar todas as cores e todos os cenários. Todos os sons. Gosto de cruzar o meu olhar com o das pessoas que caminham na rua. Adivinhar-lhes as histórias. Observar os seus rostos. Devolver-lhes um sorriso.
Gosto de caminhar pelas ruas... De sentir o movimento da vida e do tempo. De observar a dança frenética das cidades. De ser mais uma história no meio de uma multidão de histórias, enquanto a vida prossegue a um ritmo imparável. Just walking...
Life is not a clock, it is a cloud...
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Life is happening...
A vida acontece...
Nas ruas. Passeio, admiro, observo, reflicto, avalio.
No meio da multidão. Uma encruzilhada de pessoas: diferentes, activas, em movimento.
Faço parte da multidão. Um rosto apenas, no meio de outros rostos, estilos, vestuários, passos, ritmos.
Sinto o movimento da vida. No meu rosto, nos meus passos, nos meus olhos.
Sinto-me anónima. No meio de um movimento imparável de vidas.
A vida acontece...
Nas ruas. Nos autocarros que circulam, apressados, ofegantes. Nos cafés, onde rostos múltiplos, diversos e, simultaneamente, únicos, se reúnem, num encontro revestido de casualidade.
A vida acontece...
Desordenada, imprevisível, imparável.
Caminho. Sem destino, sem pressa, sem cronómetro.
Rostos. Luzes. Passos. Cores. Sons. Prédios. Movimento. Movimento. Movimento.
A vida acontece aqui...
Nas ruas. Passeio, admiro, observo, reflicto, avalio.
No meio da multidão. Uma encruzilhada de pessoas: diferentes, activas, em movimento.
Faço parte da multidão. Um rosto apenas, no meio de outros rostos, estilos, vestuários, passos, ritmos.
Sinto o movimento da vida. No meu rosto, nos meus passos, nos meus olhos.
Sinto-me anónima. No meio de um movimento imparável de vidas.
A vida acontece...
Nas ruas. Nos autocarros que circulam, apressados, ofegantes. Nos cafés, onde rostos múltiplos, diversos e, simultaneamente, únicos, se reúnem, num encontro revestido de casualidade.
A vida acontece...
Desordenada, imprevisível, imparável.
Caminho. Sem destino, sem pressa, sem cronómetro.
Rostos. Luzes. Passos. Cores. Sons. Prédios. Movimento. Movimento. Movimento.
A vida acontece aqui...
Transformations II

Se me perguntassem de que substância sou feita, eu diria que sou feita de tempo: tempo-memória, tempo-crescimento, tempo-mudança, tempo-passado (sob a forma de lembranças), tempo-presente (esse fugaz ponto de fixação), tempo-futuro (sonhar-me).
Enquanto escrevo, lembro-me da ideia imortalizada por Salvador Dali, no seu célebre quadro "A persistência da memória". A cada instante, o que foi presente passará a sofrer os efeitos de um poderoso processo chamado "memória", que reconstroí e cria uma nova visão sobre o já desaparecido "presente", agora preso ao nome "passado". A cada instante, tudo o que resta de um acontecimento vivido é um traço, já não o acontecimento em si mas apenas um traço diluído na subjectividade do autor, passível de ser moldado de diferentes formas pelo significado que lhe é atribuído. Assim, vivemos duas realidades: o que vivemos, efectivamente, e o que recordamos.
É assim que vivo as quotidianas transformações que experiencio: num movimento perpétuo de experienciar e (re)significar. Sim, sou uma substância feita de tempo num universo infinito de experiências...
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
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