quarta-feira, 17 de junho de 2009

My warm and tender morning

Sinto a ternura quente da manhã no rosto. Sinto o peso dos dias que passaram, o peso das memórias que nasceram, o peso da saudade...
Hoje questiono-me, questiono o passado e o futuro, porque o presente sou eu neste instante em que (me) escrevo.
Todos procuramos deixar um trilho, um rasto de nós próprios, uma marca indelével do passado no futuro. Questiono que trilho quero seguir. Que parte de mim quero dar ao futuro.
A vida continua a significar para mim um jogo contra o Tempo. Cada dia significa mais um dia perto do fim e, no entanto, cada dia tentamos (?) lutar para que a nossa existência tenha mais sentido, para que cada pedaço de tempo seja mais valioso. E tentamos prender o tempo na memória, no curto espaço da memória.
Cada um de nós é um ponto tridimensional, definido através do espaço e do tempo. Tudo é relativo, diria Einstein.
O espaço pode ensinar-nos muitas coisas. Por vezes, o espaço pode também transformar-se num vazio longínquo. Este espaço pode tornar o Tempo numa entidade insuportável. Afinal, o Tempo ocupa também Espaço...

Sinto novamente a ternura quente da manhã no rosto... O curto espaço de tempo que nos separa parece tornar-se ainda mais pesado. As horas são teimosos pedaços de tempo que me separam da partida. Sinto que uma parte de mim já viajou para outro lugar.
Mas as memórias flutuam no pensamento. As memórias fazem-me sentir diferente. As memórias são pedaços eternos de aprendizagens e experiências, pedaços de espaços, pedaços de conversas, pedaços de emoções e sensações. Estas memórias serão pedaços do passado para sempre dissolvidos no presente que eu sou. Nesta amálgama de memórias que desfilam nos meus olhos, enquanto sinto a ternura quente da manhã, sinto o movimento das viagens, o frio branco transformado em cenário da minha vida durante meses, a sensação de estranheza provocada pelas diferenças culturais, as inúmeras conversas trocadas com (diferentes) pessoas diferentes, a sede de conhecimento que se respira nas livrarias de Harvard Square, o aroma quente de um copo de café, o confortante sabor do chá a seguir ao jantar, o verde sinal da Primavera, as árvores altas e majestosas...

Sinto a ternura quente das memórias.
Sinto o peso da saudade.

Até já!