
Se me perguntassem de que substância sou feita, eu diria que sou feita de tempo: tempo-memória, tempo-crescimento, tempo-mudança, tempo-passado (sob a forma de lembranças), tempo-presente (esse fugaz ponto de fixação), tempo-futuro (sonhar-me).
Enquanto escrevo, lembro-me da ideia imortalizada por Salvador Dali, no seu célebre quadro "A persistência da memória". A cada instante, o que foi presente passará a sofrer os efeitos de um poderoso processo chamado "memória", que reconstroí e cria uma nova visão sobre o já desaparecido "presente", agora preso ao nome "passado". A cada instante, tudo o que resta de um acontecimento vivido é um traço, já não o acontecimento em si mas apenas um traço diluído na subjectividade do autor, passível de ser moldado de diferentes formas pelo significado que lhe é atribuído. Assim, vivemos duas realidades: o que vivemos, efectivamente, e o que recordamos.
É assim que vivo as quotidianas transformações que experiencio: num movimento perpétuo de experienciar e (re)significar. Sim, sou uma substância feita de tempo num universo infinito de experiências...
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